Hamilton Pereira, tem 42 anos, é
surdo e possui uma vida repleta de conquistas. Além de ter sido o
primeiro docente surdo concursado na universidade federal do Amazonas
(UFAM), ele é o coordenador do curso de Letras (Libras) da Universidade
e, o primeiro aluno surdo a conquistar o título de mestre junto ao
Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura da Amazônia (PPGSCA).
A sua dissertação de mestrado foi aprovada em março deste ano e através do trabalho “A Interpretação da Amazônia na Língua Brasileira de Sinais – Libras: um estudo de caso no PPGSCA”,
ele criou cerca de 50 sinais em Libras para explicar a Teoria da
Complexidade de Edgar Morin, um dos antropólogos e sociólogos mais
importantes da atualidade.
Em entrevista à Gazeta do Povo, o mestre diz que sua vida acadêmica sempre representou um verdadeiro desafio: “Quando
troquei de escola e me tornei o único surdo da sala, encontrei muitas
barreiras. Não havia intérpretes, nada era acessível e eu sequer sabia
escrever. Me sentia muito sozinho. Só quando ingressei no supletivo, em
1996, que eu consegui progredir, já pensando no ensino superior”.
Hamilton, que se formou em Pedagogia,
em 2010, diz que sempre pensou em ser professor e que se orgulha de
tudo que vem conquistando até hoje: “Infelizmente,
a sociedade ainda enxerga o surdo como um “coitado”: mas agora, sendo
formado e mestre, sinto uma satisfação indescritível”.
A ideia de estudar a interpretação da
Amazônia na Língua Brasileira de Sinais em sua dissertação, surgiu
quando ele começou a observar os surdos indígenas do interior do
Amazonas e a indagar esta questão, levando-a para a realidade acadêmica.
Enfrentando o fato de ter sido o
único aluno surdo em uma sala com 19 alunos de mestrado, ele reconhece a
ajuda de alunos e professores que facilitaram o seu processo de
aprendizagem e diz que o próximo passo é fazer doutorado.
Inspirando mais pessoas que vivem a
mesma situação que ele, Hamilton diz que os surdos podem e devem se
apropriar dos espaços de aprendizagem: “Penso
que se faz necessário a presença dos surdos nesses espaços científicos e
sinto como se portas fossem abertas, para que cada vez mais os surdos
possam se apropriar e construir conhecimentos nos diversos espaços da
Universidade Federal do Amazonas”.
Fotos: Cortesia Hamilton Pereira
Com informações de Gazeta do Povo
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